Processo artesanal
Quatro etapas manuais — e o tempo que cada uma pede
O que a gente entrega não sai de uma esteira. Sai de quatro etapas manuais que acontecem no mesmo ateliê em Belo Horizonte, todas as semanas, há mais de vinte e cinco anos. Aqui você vê como uma forminha vira "Marie" e um bem casado vira lembrança.
Por que ainda fazemos à mão
Porque máquina não sabe parar.
Existe uma diferença entre produzir e fazer. Produzir é repetir. Fazer é prestar atenção. Quando alguém corta uma forminha com a mão, enxerga o papel que está abrindo — vê se a fibra está boa, se a marcação ficou no lugar, se a pétala vai cair certo. Isso não acontece numa linha. Acontece num ateliê.
A gente escolheu manter a escala pequena justamente para preservar isso. Não somos rápidos por princípio. Somos cuidadosos por escolha.
Como uma peça nasce
Da conversa até a caixa fechada
Três etapas com a mão na peça — e uma quarta que ninguém vê. Todas no mesmo ateliê, todas na mesma semana, cada uma no seu tempo.
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01Curadoria
Cada coleção começa numa conversa — com noiva, com confeiteira, com cerimonialista. Definimos linha, dimensão, material e flor antes de qualquer corte. O repertório de fôrmas da casa é o ponto de partida: cada modelo tem a sua.
No ateliê: briefing · paleta · ocasião · ficha técnica
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02Corte
Papel, papel vegetal, kraft, tela e cetim chegam em folhas largas. Cada modelo tem gabarito próprio: Marie pede um corte; Hebe pede outro; Vitória Régia pede dois — porque tem duas camadas. Volume pequeno sai manualmente; volume maior usa a guilhotina e facas específicas da casa.
No ateliê: gabarito · faca · folha · marcação · grão
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03Montagem
Aqui a peça ganha forma. Dobra, cola, marcação de pétala (boleada, frisada ou repicada), posicionamento de pistilo, arame ou laço. É na montagem que uma flor vira a Flor Marie, a Flor Hebe ou a Flor Vitória Régia com duas camadas. Cada modelo tem sua técnica — golfada, coqueirinho, luxo — e cada técnica tem seu tempo de aprendizagem.
No ateliê: dobra · pétala · pistilo · golfada · coqueirinho · aramada
A etapa que não aparece
Conferência
Antes de embalar para envio, cada peça passa por revisão visual. Pétala torta? Volta. Cola visível? Volta. Marcação fora do gabarito? Volta.
É a etapa mais silenciosa — e a única sem foto. Porque não acontece numa bancada: acontece nos olhos de quem revisa, peça por peça. É ela que decide se o cuidado das três anteriores chega até a mesa.
Glossário do ofício
Palavras que a gente usa todo dia
Termos técnicos do chão da Embalarte. Se você é confeiteira ou cerimonialista, alguns vão soar familiares; se é noiva, vale dar uma volta — é o vocabulário que organiza a conversa.
- Golfada
- Forminha com três camadas sobrepostas + duas folhas. Volume e movimento, sem peso visual.
- Coqueirinho
- Técnica de pétala em tela ou cetim — marcação suave que lembra a abertura da palma.
- Luxo
- Padrão de pétala mais elaborado, com dobra dupla. Reservado para Personalizados premium.
- Boleada
- Pétala marcada com calor para ganhar curvatura natural, sem aresta.
- Frisada
- Pétala com várias dobras finas paralelas — textura visual densa.
- Repicada
- Pétala com cortes regulares na borda, efeito decorativo.
- Aramada
- Estrutura com arame interno para sustentar a forminha aberta.
- Pistilo
- Peça central da flor, geralmente em cor contrastante.
- Marcação
- Linhas de dobra impressas antes da montagem — garantem simetria.
- Gabarito
- Molde físico que define o corte de cada modelo.
Vamos conversar
A próxima etapa do processo começa do seu lado
A primeira fase do nosso processo é a curadoria — e a curadoria começa com você. Conta pra gente a ocasião, a mesa, o doce. A partir daí, o ateliê responde.